13 de jul. de 2026

DONA ROSA - CAFÉ NO CACO

Minha vó gostava de contar histórias e eu gostava de ouvi-las! Sentado no tamborete que ficava perto do velho pilão feito de uma arvore chamada aroeira próximo de outro pilão de miolo de cedro próprio para pilar café, obviamente o pilão de pilar café não podia ser usado pra nada mais. Minha vó zelosa o limpava antes de praticar a arte de transformar a partir do caroço a essência do café, cedinho ela tomava banho fazia o fogo com seus gravetos metricamente cortados a foice, era recomendado tomar banho cedo pois depois da torra do café não se podia mais tomar banho naquele dia, sob pena de ficar entrevado, como ela dizia, após horas mexendo os grãos enegrecidos, ela jogava açúcar e o melaço deixava tudo grudado no caco velho feito a capricho pelas louceiras do lugar, feito isso aquele grude era posto pra secar ao vento e esfriar pra depois ser pilado e moído, esse ritual ocupava o dia inteiro e o cheiro do café se espalhava pela casa saia porta a fora e encontrava com homens e bichos pela estrada. A peneira de minha vó filtrava todos os dissabores do café e o deixava um pó fininho, forte, pronto para as visitas e os muitos filhos ela costumava mandar uma quartinha de café pra cada um que moravam vizinhos... Otacildo Rocha